quinta-feira, 8 de novembro de 2007

EU TE AJUDO E TU ME AJUDAS

Sei que alguns de vocês não agüentam mais ouvir falar na tal Operação Moeda Verde, mas tem outros que vivem pedindo pra ler mais alguma coisinha do relatório. Principalmente aqueles trechos onde as autoridades conversam e trocam confidências.

Vou atender hoje ao pedido dos curiosos e depois deixarei algum tempo os arquivos fechados, para tratar de outros assuntos que também requerem a nossa atenção e são tão escabrosos quanto.

O GRANDE AMIGO
Um dos destaques do relatório da Moeda Verde, sem dúvida, é a emocionada amizade que une o empresário Paulo Cézar Maciel e o ex-vereador Juarez Silveira.

O Paulo Cézar, pra quem não conhece, é o “sócio local do empreendimento atualmente denominado SHOPPING IGUATEMI e proprietário de diversas outras empresas (a exemplo da Santa Fé Veículos, Florence Veículos, Construtora Santa Fé e Engec)”.

O shopping está na mira da Polícia Federal pelo menos desde 11 de novembro de 2004, quando foi instaurado o “Inquérito Policial n.º0919/2004 (autuado na Subseção Judiciária de Florianópolis sob o n.º 2004.72.00.018234-5)”.

O motivo, já naquela época, era “a possível ocorrência de crime imputado a servidores da Secretaria Municipal de Urbanismo e Serviços Público de Florianópolis, do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis/SC, da Fundação do Meio Ambiente-FATMA, demais órgão, servidores e pessoas físicas/jurídicas envolvidas, tendo em vista a ocorrência de informações falsas ou enganosas, omissão de verdade, sonegação de informações e dados técnicos-científicos em procedimento de autorização ou licenciamento ambiental, concessão de licenças e autorizações em desacordo com as normas ambientais para atividades, obras ou serviços, cuja realização depende de ato autorizativo do poder público”.

Ou seja, desde 2004 já se suspeitava de procedimentos semelhantes àqueles descritos depois, com novos detalhes, na Operação Moeda Verde.

“PEGAS MEU RELÓGIO?”
Nada comprova melhor uma boa relação de amizade do que esses pequenos favores que só a amigos se pode pedir. Por exemplo, pegar o relógio que está no conserto. Os maledicentes arregalarão os olhos quando virem que o relógio era um Bvlgari (não existe relógio popular desta marca) e que o conserto (um simples polimento) custaria a bagatela de R$ 900,00.

Abaixo, os principais trechos:
“Às 14:52, Lina da Bulgari liga para Juarez, dizendo que seu relógio chegou. Juarez vai mandar Paulo Cezar ir buscar o relógio. Disse que já mandou um outro Bulgari mês passado pra ela. É a loja da Bulgari na Rua Hadock Lobo, 1626, em São Paulo. Juarez diz que vai ligar para ver se Paulo Cezar pode buscar. O preço do serviço de polimento saiu em R$ 900,00. Às 15:21, Paulo Cezar liga para Juarez Silveira, possivelmente retornando ligação deste, e este pergunta se Paulo Cezar está em São Paulo. Paulo Cezar responde que está e Juarez, então, pede um favor, dizendo para buscar seu relógio na Bulgari.

“Eu tenho um relógio lá para pegar, eu ia dar o telefone da moça e tu ias pagar novecentos reais e trazer a nota do meu relógio, que eu deixei lá, entendesse?”. (...)

Juarez dá o endereço e diz que é a relojoaria Bulgari, aquela loja bonita, de relógio e completa: “Eu sou chique. É, eu sou chique, querido!” Juarez pergunta “o que comprasse pra nós, aí, algum conversível?”. Paulo Cezar responde que não e que está tudo a mesma coisa no salão. Juarez diz, então: “eu vou vender o meu pra ti depois”, possivelmente referindo-se ao seu Mercedes conversível.

Às 15:25, Juarez liga novamente para Bulgari, avisando que Paulo Cezar Maciel da Silva passará para pegar o relógio e o descreve como sendo “o futuro dono do Shopping Iguatemi aqui de Florianópolis! Tá?” Diz que ele não tem “aquele documento de vocês” para pegar o relógio. A atendente diz que não tem problema e pergunta se está em nome de Juarez mesmo. Ele responde que sim, no nome de Juarez Silveira e “quem levou aí foi um diretor da Rede Manchete, que era da Globo e tá na Manchete!” Juarez diz que deixou há uns quarenta ou cinqüenta dias. A atendente, de nome Bruna, acha a ordem de serviço do relógio dizendo que “Tá aqui!” Juarez passa o telefone de Paulo Cezar para passarem o endereço para ele e já diz para vender um relógio para ele, que ele gosta de relógio.”

Dependendo do modelo, um relógio Bvlgari pode
custar de R$ 4 mil a mais de R$ 400 mil

JUAREZ? QUE JUAREZ?
O ato mais surpreendente e elucidativo da relação igualmente próxima entre a prefeitura municipal e o shopping Iguatemi e a Habitasul (empreendedor do Jurerê Internacional), é a viagem de uma comitiva de notáveis a Porto Alegre, para pedir, a um desembargador, a suspensão do embargo das obras.

No final de julho de 2006 desembarcam em Porto Alegre o prefeito de Florianópolis, Dário Berger, o secretário de Turismo, Mário Cavallazzi, o então líder do governo na Câmara, Juarez Silveira e o procurador do município, Jaime de Souza.

No depoimento à Polícia Federal, em 26 de junho de 2007, o prefeito Dário explicou o que foram fazer e, curiosamente, diz que não sabe, ou não lembra, de como é que o Juarez foi aparecer lá!

Transcrevo a íntegra do depoimento, para que vocês não pensem que eu estou inventando coisas (só os destaques, em negrito, são meus):
“QUE sobre a viagem a Porto Alegre em julho de 2006, para ida até o TRF, para tratar sobre a paralisação das obras do SHOPPING SANTA MÔNICA e do sistema viário da região, acredita que a idéia tenha partido do Procurador Geral do Município JAIME DE SOUZA; QUE acredita ter comentado com JAIME sobre sua preocupação quanto às obras do sistema viário, tendo possivelmente recebido ofício da Associação de moradores do bairro Santa Mônica sobre a movimentação de terras e obras paradas; QUE participaram da viagem o declarante, Dr. JAIME, MÁRIO CAVALAZZI e o Vereador JUAREZ SILVEIRA; QUE o declarante se recorda de ter indagado ao Dr. JAIME se não era importante sua ida; QUE com relação à participação de MÁRIO CAVALAZZI, esclarece que foi convidado pelo declarante por entender que havia interesse relacionado ao turismo e desenvolvimento econômico, e, ainda, porque CAVALAZZI geralmente acompanha o declarante em suas viagens por ser muito experiente; QUE quanto a JUAREZ SILVEIRA, não se recorda de ter convidado o mesmo para a viagem, não sabendo bem de que forma ele passou a integrar o grupo que viajou para Porto Alegre; QUE a viagem do declarante, Dr. JAIME e MÁRIO CAVALAZZI foi custeada pela Prefeitura, que arcou com passagens e diária, por se tratar de viagem oficial; QUE não sabe informar quem custeou a viagem de JUAREZ SILVEIRA, mas certamente não foi a Prefeitura; QUE o objetivo da viagem foi conversar com o Desembargador LIPPMANN, relator do processo junto ao TRF da 4ª Região, tendo o declarante se manifestado unicamente quanto à situação do sistema viário; QUE o declarante e Dr. JAIME também falaram com outro Desembargador, um catarinense, isto por sugestão do Desembargador LIPPMANN; QUE ao que tem conhecimento, não houve contato anterior à viagem com advogados do SHOPPING SANTA MÔNICA ou com o empreendedor PAULO CÉZAR MACIEL; QUE a comitiva chegou a Porto Alegre próximo ao meio-dia, tendo um dos integrantes, não se recordando quem, sugerido que fossem à empresa HABITASUL; QUE acredita que tenham ido de táxi, acreditando que JUAREZ SILVEIRA soubesse o endereço da HABITASUL; QUE Dr. JAIME DE SOUZA entendeu interessante fazer um contato com os advogados da HABITASUL para se informar se os Desembargadores costumavam receber partes ou advogados; QUE não houve o prévio agendamento com o Desembargador; QUE após a interferência do advogado, o declarante se manifesta no sentido de que Dr. JAIME agendou a visita; QUE sendo indagado sobre o motivo pelo qual seria necessário então o contato com os advogados da HABITASUL, respondeu que “houve esse encontro”; QUE não se recorda de ter havido carro da HABITASUL à disposição dos integrantes da comitiva quando da chegada ao aeroporto em Porto Alegre; QUE o declarante não fez nenhum contato com PAULO CÉZAR MACIEL quando a comitiva estava em Porto Alegre, não sabendo se outro integrante o fez; QUE gostaria de registrar que o Desembargador foi simpático, mas não atendeu ao pleito da comitiva.”
Se eu fosse um sujeito intrigante, também transcreveria o depoimento do Juarez, onde ele diz que não esteve na Habitasul com a comitiva: foi lá sozinho, porque sempre que vai a Porto Alegre visita o Dr. Druck. Mas deixa quieto, que, para bom entendedor, já tem palavras sobrando.

5 comentários:

Mauricio disse...

Cesar.

Mesmo considerando que as declarações do Prefeito possam ser mentirosas para se livrar de alguma responsabilidade no processo, não precisavam ser tão burras.

Como pode um prefeito de Capital de Estado declarar que fez uma viagem no oba-oba, sem agendamento prévio e levando, ou sendo levado, por comitiva.

Esta declaração revela que ele sofre de atraso intelectual profundo (idiotia). Além de tudo é um fantoche.

Está pior do que o Lula: não sabe porque foi, para que foi, como foi, quem foi junto ou se juntou depois.

Diz que levou o Cavalazzi por ser "muito experiente". O Cavalazzi experiente? Em que?

Diz, ainda que o Desembargador foi "simpático". Imagine-se no lugar do Desembargador, recebendo esta desastrada comitiva, fazendo pedidos de condução de sentença. Ou o Desembargador riu muito, ou chorou muito, depois que eles saíram de seu gabinete.

Enquanto o Prefeito fantoche se movimenta à mercê de quem estiver com a mão no comando, a cidade vai sofrendo os horrores conseqüentes.

Para citar só um desses horrores, fico com a favela que está sendo montada em pleno aterro da baía sul, ao lado do Centrosul, onde os coletores de papéis invadiram uma área e já começaram a construir barracos.

Depois, o município necessitará ingressar com ação de reintegração de posse, oferecer residências a todos os moradores que ali se instalarem, etc., etc., etc.

Todos nós já conhecemos essa novela.

Bruxinha Nova disse...

Brincadeirinha do dia: quem já ganhou um BVLGARI do JUJU? Ele adora presentear relógios....Vamos prestar atenção nos punhos.....

Anônimo disse...

É aquilo que tenho repetido aqui sistemáticamente: "Com Dario, Luiz Henrique e Lula vamos esperar o que?
Esperar que as favelas se multipliquem, que a corrupcào se estabeleça, que as viagens de turismo com a ida ao casamento da filha na Europa com dinheiro público se propague, que o Brasil deixe de crescer por falta de energia ao ficarmos refens dos companheiros Morales e Chaves e assim por diante.
Na verdade a culpa é nosssa - eleitores, ao votarmos nesses pusilames que estão por toda parte desde as camaras municipais até os mais altos escalóes da república. E a cada dia aumenta a nossa capacidade de não mais nos indignar.

Pedro de Souza.


PS: E o Vererador cassado ainda está solto e os empresários corruptores também. Que belo país.

Anônimo disse...

Eu não posso reclamar como o nosso companheiro aí de cima. NÃO VOTEI EM NENHUM DOS TRES.

Anônimo disse...

A Doma Ângela, que assinou a autorização para as obras do Shpoping Iguatemi, dois dias antes do término do seu mandato dia 29 de dezembro de 2004, não aparece nas investigações.,, estranho... muito estranho...
Tudo isto parece muito mais uma conspiração da elite de Florianópolis que não aceita gente de fora. Como se a Ângela não fosse de Indaial.